O que é liquidez na administração financeira?

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Liquidez, na administração, é um índice financeiro que pode ser usado para determinar a disponibilidade de um ativo em face de urgências de capital. O principal fator a ser considerado para avaliar a liquidez é o tempo, ou seja, quanto mais rápido puder ser utilizado, mais líquido um bem será.

Não é raro que o entendimento sobre liquidez seja confundido com o de rentabilidade. Embora sejam grandezas que se referem ao lucro, há, entre ambas, diferenças substanciais, principalmente nas formas como são aplicadas e o que podem dizer sobre as finanças em certos contextos.

Para entender o que é liquidez e como pode ser usada adequadamente como métrica financeira, acompanhe o artigo. No final, você terá um novo entendimento sobre o assunto.

Indicador de quanto capital há disponível

No jargão econômico muitas vezes utilizado por profissionais de outras áreas, costuma-se dizer que, quando um bom resultado está garantido, é “líquido e certo”. Quando os recursos fluem sem nenhum tipo de obstáculo em direção a um credor, pode-se dizer que é líquido.

A liquidez, portanto, está diretamente ligada à propriedade que um ativo tem de se transformar em dinheiro. Quanto mais líquido, mais rápido e sem intermediários um recurso é convertido em moeda. O adiantamento de recebíveis, por exemplo, apresenta maior liquidez, se comparado com crédito para financiar compra de equipamentos.

Em função das variações que os ativos apresentam, eles entram nos balanços contábeis por meio de cálculos que medem suas respectivas disponibilidades. Para essa medição, existem quatro fórmulas, usadas para chegar ao que se chama de Índice de Liquidez. Antes de conhecermos essas fórmulas, é preciso saber o que significam os termos nelas utilizados:

Liquidez Corrente

Indica o quanto se pode extrair de recursos ou não, dada a diferença entre tipos correspondentes de ativos e passivos. Se for maior que 1, significa que há liquidez, ou seja, a empresa pode pagar seus débitos e auferir lucro. Se for menor que 1, a empresa não é capaz de honrar com seus pagamentos.

Ativo Circulante

Ativos, bens e direitos, conversíveis em dinheiro em um período considerado curto ou que possa ser realizável a longo prazo, como parcelas e duplicatas. No cálculo da liquidez, o Ativo Não-Circulante não é contabilizado.

Passivo Circulante

Todas as dívidas e obrigações que devam ser pagas nos 12 meses subsequentes. Divide-se em Passivo Não-Circulante e Passivo Exigível a Longo Prazo.​

Passivo Exigível a Longo Prazo

Todas as obrigações com vencimentos após o final do exercício (ano) seguinte.

Fórmulas para cálculo de liquidez

Liquidez Geral

Quando se calcula a Liquidez Geral, pretende-se saber qual a capacidade financeira de uma empresa no longo prazo. A fórmula é a seguinte:

Liquidez Geral = (Ativo Circulante + Realizável a Longo Prazo) / (Passivo Circulante + Passivo Não Circulante)

Exemplo: (1000 + 4500) / (600 + 2500) = 1,77
A empresa terá, no prazo considerado, liquidez para pagar suas dívidas, e, para cada R$ 1,00 pago, sobrará R$ 0,77.

Esse índice deve ser empregado com muito cuidado, uma vez que nem sempre é possível precisar se os débitos e créditos nele contados estão em sincronia. É necessária, ainda, uma avaliação criteriosa sobre ativos, como, por exemplo, o real valor de itens em estoque, para que os números não gerem discrepâncias no cálculo.

Liquidez Imediata

Indicador utilizado para avaliar a capacidade de pagar dívidas no curto prazo. Só entra nesse cálculo o que pode ser imediatamente convertido em dinheiro, como aplicações que possam ser resgatadas sem carências, saldo bancário e outras reservas financeiras disponíveis.

Liquidez Imediata = Disponível / Passivo Circulante

Por considerar apenas os ativos de disponibilidade imediata, normalmente esse índice só deve ser utilizado para avaliar as condições de pagamento em circunstâncias específicas.

Exemplo: 3500 / 1800 = 1,94
A empresa terá, no prazo considerado, liquidez para pagar suas dívidas, e, para cada R$ 1,00 pago, sobrará R$ 0,94

Liquidez Corrente

Para esse cálculo, entram ativos e passivos com disponibilidade imediata e os que podem ser convertidos rapidamente. Como exemplos de ativos nessa conta, podemos considerar itens em estoque, mercadorias e saldo bancário. No lado do passivo, podem ser contabilizadas dívidas com impostos, fornecedores e financiamentos.

Liquidez Corrente = Ativo Circulante / Passivo Circulante

Exemplo: 4000 / 6500 = 0,61
Como o resultado é menor que 1, significa que, para cada R$1,00 devido, a empresa só poderá pagar R$ 0,61. Falta, portanto, R$ 0,39 para o equilíbrio das contas.

Liquidez Seca

Os mesmos itens que entram no cálculo da Liquidez Corrente são ponderados ao medir a Liquidez Seca, exceto o estoque.

Liquidez Seca = (Ativo Circulante – Estoques) / Passivo Circulante

Exemplo: (4000 – 800) / 1800 = 1,77
No caso desse índice, cabe considerar que ele pode ser usado para aferir a capacidade de uma empresa em honrar suas dívidas, em caso de se ver impossibilitada de exercer suas atividades. Também é indicado quando o estoque se revela obsoleto, restando apenas os recursos imediatamente disponíveis e parcelas a receber.

Liquidez x rentabilidade

A rentabilidade, diferentemente da liquidez, representa um indicador percentual que revela o quanto as operações são rentáveis num dado período. O parâmetro é o valor de R$ 100,00 investidos, sobre o qual uma determinada margem surge como indicador de quanto cada unidade de 100 rende para a empresa.

A exceção, no cálculo da rentabilidade, é o que se refere ao Giro do Ativo, que mostra o quanto a empresa vende para cada R$ 1,00 investido. Basta dividir o valor das Vendas Líquidas pelo do Ativo.

Se for maior que 1, significa que, para cada real investido, houve retorno, e, se for menor que 1, o volume de vendas não foi suficiente para cobrir o que se investiu nas operações.

Portanto, a liquidez na administração deve ser entendida como a realização de cálculos para aferir o quanto a empresa se mostra capaz de pagar seus débitos em distintos períodos. Seja no curto, médio ou longo prazo, quando há liquidez, a consequência é o aumento nos índices de rentabilidade.

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