Esclareça todas as suas dúvidas sobre fundos de investimento

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Muito embora o nosso mercado financeiro não seja tão desenvolvido se comparado com os Estados Unidos e alguns países europeus, instrumentos como os fundos de investimento têm se popularizado cada vez mais, principalmente entre os empresários, gerentes financeiros e investidores que detêm mais conhecimento sobre o mercado.

De fato, são aplicações financeiras muito interessantes para quem busca diversificação e rentabilidade. Inclusive, a lógica dos fundos de investimento é semelhante à lógica de uma convivência condominial.

Da mesma forma que um grupo de pessoas que compartilha um imóvel precisa de um gestor que administre as atividades e a organização da dinâmica no local, nos fundos de investimento também é necessário pagar uma taxa de administração para que um determinado indivíduo coordene aqueles investimentos.

Neste artigo, você vai entender os conceitos envolvendo os fundos de investimento, além de aprofundar conceitos por meio dos tipos de fundo, dos riscos envolvendo esse tipo de aplicação, as vantagens, custos, rentabilidade e o papel do gestor em todos esses processos.

Por fim, elaboramos um pequeno glossário com algumas expressões e conceitos importantes que você poderá consultar em caso de dúvidas. Acompanhe a leitura e entenda definitivamente os fundos de investimento!

O que são fundos de investimento?

Compreender os conceitos é o primeiro passo para facilitar o entendimento a respeito da aplicação prática dos fundos de investimento, principalmente para quem busca melhorar os resultados financeiros da sua empresa, por meio da organização do fluxo de caixa, liquidez e manutenção de suas demonstrações financeiras.

Afinal, conhecer o mercado e as soluções que podem ser aplicadas dentro da estratégia de planejamento financeiro são etapas importantes no processo de desenvolvimento empresarial. 

Sendo assim, tenha em mente que os fundos são aplicações financeiras que captam recursos de investidores, também denominados cotistas. Eles têm direito a um número de cotas do fundo que varia proporcionalmente de acordo com o valor que foi aplicado neste fundo.

O foco dessas aplicações é alcançar a valorização das cotas, o que garantirá a remuneração dos cotistas. Para ter sucesso no processo de valorização, é necessário seguir alguns parâmetros específicos e desenvolver uma boa política de investimentos.

Mas, antes de adentrar nessas políticas, é importante entender melhor o conceito envolvendo expressões como as cotas.

Saiba o que são cotas 

Entende-se por cotas a menor fração de participação em um determinado fundo de investimento. Ao fazer uma aplicação financeira, o investidor não está comprando um ativo (ou ação) mas sim uma parte daquele grupo de investimentos. Por isso, ele é denominado cotista.

As cotas que integram os fundos de investimento têm um valor em dinheiro correspondente a elas. O valor pode variar de acordo com a valorização ou desvalorização das cotas, ou seja, pode aumentar ou diminuir ao longo do tempo. Mesmo havendo essas oscilações de valores, a quantidade de cotas permanecerá sendo a mesma.

Isso significa que, ao investir determinado valor em um fundo, o valor é convertido em cotas. O valor relativo a essa quantidade de cotas será calculado de acordo com a “cotação” do dia. No momento em que o investidor não tem mais interesse no fundo e solicita o seu resgate, as cotas são novamente convertidas em dinheiro.

Com relação à base de cálculo para determinação do valor do da cota, o dia usado como base encontra-se expresso na tabela que traz as informações do fundo. 

Identificado como D+X, o X representa o número de dias úteis após a aplicação ou resgate. Por exemplo, em uma aplicação que consta na tabela a informação “D+2”, será utilizado para cálculo o segundo dia útil da aplicação para o cálculo. 

Vale destacar que as tabelas com a informação D+0 informam que será utilizado o valor da cota do mesmo dia para base de cálculo. Agora, vamos tratar especificamente das políticas de investimento e do seu papel na estratégia de gestão de um fundo.

Entenda as políticas de investimento

Como mencionamos anteriormente, os fundos de investimento precisam ser geridos por determinadas pessoas. Esses indivíduos são conhecidos como gestores e são responsáveis pela adoção de estratégias que visem a melhorar os resultados dos investimentos. 

Também são esses gestores que acompanham o desempenho e tomam decisões importantes sobre como as aplicações financeiras serão feitas. Entretanto, muito embora eles tenham um papel de decisão muito importante, não estão livres para tomar qualquer decisão.

Isso porque os documentos que integram um fundo de investimento determinam qual será a política de investimento, que nada mais é do que um conjunto de regras com orientações quanto à alocação de recursos.

A política de investimentos trará orientações sobre limites para ativos, acompanhamento de índices, entre outras regras e procedimentos que deverão ser respeitados pelos gestores de investimentos.

Dessa forma, podemos resumir o fundo de investimento como um grupo de pessoas que adquirem cotas com o objetivo de alcançar rentabilidade financeira.

Esse grupo é administrado por um profissional que é responsável pela gestão do fundo, sendo ele quem tomará as decisões a respeito das estratégias de investimento, sempre respeitando as regras impostas pela política de investimento do grupo.

A seguir, entenda quais são os tipos de fundos de investimento e as suas principais características!

Quais são os tipos de fundos de investimento?

A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (ANBIMA) classifica os fundos de investimento em quatro classes principais. São elas:

  • Ações;
  • Fundos cambiais;
  • Renda fixa;
  • Multimercados.

Cada grupo se divide em categorias e subcategorias que variam de acordo com a estratégia adotada e o tipo de gestão.

Cada fundo pode ter diferentes estratégias, que se baseiam em suas políticas de investimentos. Os métodos podem ser mais agressivos ou mais conservadores, e o que vai determinar qual é mais agressivo ou não são os tipos de ativos escolhidos para investimento. Confira adiante o conceito que envolve cada um desses grupos e aprenda a diferenciá-los.

Fundos de ações

São aqueles nos quais o investimento mínimo de 67% do patrimônio é direcionado para renda variável, como ações, por exemplo. Esse tipo de fundo é uma excelente opção para quem deseja investir na Bolsa de Valores de uma forma mais prática e mais “segura”. Claro que isso não significa que, o investidor ficará livre de riscos ao investir em um Fundo de Ações. Pelo contrário, esse tipo de investimento é mais arriscado. 

Fundos cambiais

Os fundos cambiais se caracterizam por um investimento mínimo de 80% da carteira em ativos relacionados à variação de preço de moedas estrangeiras. Isso quer dizer que o desempenho e a variação das moedas estrangeiras é que vão determinar os resultados 

Fundos de renda fixa

Esse tipo de fundo compreende aplicações em renda fixa como, por exemplo, títulos da dívida pública ou até mesmo de instituições financeiras privadas. Nesse tipo de investimento, há a possibilidade de seguir algumas variações de um determinado índice, como a inflação (IPCA) ou a taxa básica de juros (Taxa Selic).

Fundos multimercados

São os fundos que permitem flexibilidade para operar em diferentes tipos de ativos, ou seja, permitem investimentos em ações, moedas, renda fixas e outros.

Essa característica de versatilidade permite que o investidor adote diferentes estratégias com foco no cenário econômico atual e nas constantes mudanças do mercado financeiro. Dessa forma, acaba se caracterizando como uma de suas principais vantagens.

Como você pode ver, os diferentes tipos de fundos devem ser adaptados aos diferentes perfis de investidores e suas necessidades, já que o tipo de investimento está diretamente relacionado aos resultados a serem alcançados.

Quais são os riscos dos fundos de investimento?

O grande receio dos próprios investidores — diz respeito aos riscos atrelados aos fundos de investimento. Nesse tipo de fundo, os principais riscos relacionados estão vinculados ao risco de mercado, de crédito e de liquidez. Entenda cada um deles:

Risco de mercado

Os riscos de mercado talvez integrem um dos riscos mais comuns para quem está no mercado financeiro, já que fazem parte da rotina dos profissionais do ramo. No caso dos fundos, como os gestores têm a possibilidade de aplicar recursos em diferentes classes de ativos, é normal que o investidor esteja suscetível ao risco de mercado.

Em investimentos em fundo de ações, por exemplo, esse risco é muito grande, já que o valor da ação varia de acordo com os resultados do mercado. Investir em ações significa estar exposto a uma série de situações totalmente imprevisíveis e tanto o tomador quanto o investidor precisam estar cientes disso.

Risco de crédito

O risco de crédito é muito mais comum em fundos de aplicação em renda fixa, já que o investidor corre o risco de que a instituição financeira não consiga honrar com suas obrigações. Apesar de ser um risco muito mais baixo do que o risco de mercado, ele também existe e precisa ser conhecido no momento da escolha de um determinado fundo de investimento.

Risco de liquidez

Risco de liquidez significa o risco de não conseguir resgatar o valor aplicado quando se precisa. Em alguns fundos, é necessário aguardar até 30 dias para poder resgatar os recursos. A questão da liquidez muda muito de um fundo para o outro e, por isso, é importante conhecer pormenorizadamente as regras e regulamento do fundo antes de proceder com qualquer tipo de aplicação.

Esses riscos estarão diretamente vinculados à política de alocação de ativos daquele fundo. Dessa forma, é imprescindível compreender como será a política de investimentos do fundo escolhido e saber identificar se o seu perfil está em harmonia com aquela política.

Qual é o papel do gestor de fundos de investimento?

Como já mencionamos, os gestores são os profissionais que atuam no sentido de gerir e controlar os riscos de uma carteira de investimentos. Eles trabalham com o foco em alcançar maior rentabilidade para os fundos.

As suas atividades vão desde o acompanhamento diário dos recursos mantidos no fundo até a avaliação das opções, o cenário do mercado econômico, acontecimentos políticos que possam refletir na economia e demais movimentos que possam trazer impactos (tanto positivos quanto negativos) para o fundo.

Tendo em vista que é fundamental avaliar essas situações e saber como agir diante dos acontecimentos, o tomador e o investidor devem estar cientes de que esse profissional é que será o responsável pela tomada de decisões a respeito da aplicação do seu dinheiro, o que é o ponto-chave para alcançar a rentabilidade almejada.

A escolha do gestor é com certeza uma das decisões mais importantes no momento de escolha de um fundo, uma vez que nada adianta investir em um fundo com excelentes possibilidades se você não tem um gestor igualmente competente para administrá-lo.

Quais são os custos dos fundos de investimento?

Um fundo de investimentos possui diversas despesas que são necessárias para a sua manutenção. Essas despesas se refletem em taxas, cobradas dos investidores com o objetivo de manter a gestão dos investimentos.

Além das taxas, há também os impostos que incidem sobre essas operações, outro aspecto importante e que deve ser considerado no momento em que o investidor decide ingressar nesse universo.

A seguir, relacionamos as principais taxas e impostos vinculados aos fundos de investimento para que você entenda quais são os custos atrelados a eles.

Taxas

São duas as taxas principais: taxa de administração e taxa de performance. A taxa de administração é destinada para o custeio e remuneração de todas as pessoas que estão por trás da gestão do fundo. O percentual cobrado em uma taxa de administração é calculado sobre todo o valor investido e costuma variar de acordo com o tipo de fundo e o gestor que atua nele.

De maneira geral, os fundos mais simples possuem taxas mais baixas, enquanto os fundos que demandam mais trabalho e acompanhamento constante do mercado costumam se caracterizar por ter taxas mais altas. É necessário estar atento a essa taxa pois, em alguns casos, ela pode tornar o fundo de investimento desvantajoso.

Já a de performance é outro tipo de taxa, cobrada nos casos em que o desempenho do fundo supera o benchmark (consulte o glossário ao final do artigo). A taxa de performance é vista como uma bonificação a ser paga para a equipe de gestores pelo excelente resultado alcançado na gestão da carteira, ou seja, ela ocupa um papel de incentivo para que os gestores busquem sempre o melhor desempenho.

Além dessas duas taxas, que são as principais, os fundos de investimento podem ter outras taxas, como uma taxa de entrada e de saída. Antes de ingressar em qualquer fundo de investimento, portanto, é importante analisar o regulamento do fundo e estar atento às taxas, já que, em alguns casos, elas podem se tornar inviáveis para alguns investidores.

Qual é a rentabilidade dos fundos de investimento?

A rentabilidade do fundo está atrelada a diversos fatores. Entre eles, estão a política de investimentos adotada e as estratégias definidas pelo gestor. Neste sentido, fica muito difícil determinar qual será a rentabilidade de um fundo, já que cada um possui traços muito diferentes.

O que é possível afirmar é que o desempenho passado de um fundo não reflete necessariamente no seu desempenho futuro. Muitos fundos que tiveram resultados ruins no passado tiveram excelentes resultados nos meses seguintes. Conhecer o histórico é importante para conhecer o perfil do investidor, entretanto, não é pré-determinante para identificar qual será o resultado futuro.

O investidor deve estar ciente de que os resultados de um fundo de investimentos estão diretamente relacionados ao perfil de gestor e à política adotada, que deve estar em harmonia com os seus objetivos.

Quais as vantagens de aplicar em fundos de investimento?

Certamente, há muitas vantagens na aplicação em fundos de investimento. Talvez a principal vantagem seja a possibilidade de contar com um profissional de alta performance atuando na identificação de oportunidades de mercado e no constante acompanhamento do fundo.

Normalmente, os investidores não têm tempo nem expertise para acompanhar o mercado financeiro e saber identificar as melhores oportunidades de investimento. Por isso, contar com o apoio de um profissional é uma das vantagens mais relevantes dos fundos de investimento.

Além disso, eles oferecem a possibilidade de diversificar (dependendo do tipo de fundo que você escolher), já que é possível mudar estratégias e aumentar a possibilidade de ganhar maiores rendimentos. Outra vantagem é a praticidade, já que, além de não ser necessário ter um conhecimento prévio muito aprofundado, não há necessidade de acompanhar os investimentos diariamente.

Entretanto, vale destacar que o fato de você contar com profissionais gerindo o seu fundo não significa que você deva deixar totalmente de lado o investimento. É importante que, de tempos em tempos, você acompanhe os resultados e a performance do gestor na administração do seu dinheiro.

Por fim, a alta liquidez e a segurança são outras duas vantagens importantes no fundo de investimento. Como esse mercado é regulamentado e altamente fiscalizado, o investidor tem mais segurança para investir.

O que significam os principais termos sobre os fundos de investimento?

Elaboramos este pequeno glossário com 11 conceitos importantes para quem busca conhecer e compreender melhor os fundos de investimento.

Você pode salvar estas informações e consultá-las sempre que tiver qualquer dúvida a respeito do tema. Confira:

  1. Aplicação mínima: valor mínimo para o investimento no fundo.
  2. Aporte: ato por meio do qual o cotista investe recursos financeiros no fundo de investimento. Ou seja, ele envia dinheiro ao fundo, que, em troca, emite as cotas em favor do cotista.
  3. Benchmark: indicador utilizado como parâmetro para a avaliação da performance mínima do fundo de investimento.
  4. Come-cotas: sistema de tributação do Imposto de Renda aplicado aos fundos de investimento.
  5. Cotização: troca de dinheiro por cotas, ou o inverso.
  6. Investidor qualificado: investidor que possui investimento superior a R$ 1.000.000,00 e que se declara como qualificado.
  7. Investidor profissional: investidor que possui investimento superior a R$ 10.000.000,00 e que se declara profissional.
  8. Liquidez:  prazo para que os recursos requeridos sejam depositados em conta. É a soma do prazo de cotização com o prazo de liquidação do resgate.
  9. Movimentação mínima: valor mínimo para aportes e resgates.
  10. Prazo de cotização: quantidade de dias que o fundo demora para converter o aporte em cotas, ou para converter cotas em dinheiro. A contagem costuma ser feita em dias úteis.
  11. Prazo de liquidação: quantidade de dicas que o fundo demora para depositar na conta do cotista o valor do resgate. Diferente do prazo de cotização, nesse caso a contagem costuma ser feita em dias corridos.

Como você pôde ver ao longo deste artigo, os fundos de investimento envolvem diversas informações e características muito próprias. Conhecê-las e identificar de que forma podem interagir positivamente com o perfil do investidor é importante para que se alcancem melhores resultados.

Se você é gerente financeiro ou atua no segmento empresarial, e possui uma rotina que exige conhecimento na área financeira, deve ficar atento ao mercado e às estratégias de gestão financeira.

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