Como funciona o desconto de duplicatas?

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Quando a empresa necessita de mais recursos, comumente recorre a empréstimos bancários. A maior parte dos bancos proporciona uma linha de crédito voltada, especificamente, para o financiamento corporativo, com juros moderados, dependendo do porte da organização e do volume do empréstimo.

Porém, o empréstimo bancário não é a única possibilidade para as empresas. A antecipação de recebíveis também é uma forma eficiente de levantar dinheiro quando necessário. Entretanto, é preciso saber como funciona essa opção.

Compare a antecipação de recebíveis com os empréstimos bancários e veja qual é a melhor solução para o seu caso!

Como acontece o empréstimo bancário?

O empréstimo bancário é um contrato feito diretamente com uma instituição financeira. O contratante do crédito recebe uma determinada quantia que deverá ser devolvida em um prazo específico, acrescida dos juros acertados. Também podem incidir taxas administrativas e outros encargos.

No caso de empresas, esse financiamento é chamado de capital de giro. Trata-se de uma espécie de alavancagem, ou seja: a empresa usa o capital de terceiros para fazer seus investimentos. No entanto, a devolução do dinheiro emprestado deve ser feita no prazo pactuado. Geralmente, é possível deduzir os juros no imposto de renda.

Algumas condições podem elevar a taxa de juros. Isso porque as instituições bancárias fazem uma análise de riscos e, assim, se o prazo para a quitação do débito for muito alongado ou se o banco identificar que há um risco maior de inadimplência, os encargos serão elevados. Em contrapartida, se a empresa já for cliente da instituição pode ser beneficiada com algumas vantagens.

Na prática, o capital de giro funciona como qualquer empréstimo, que é o principal negócio dos bancos. Uma instituição bancária capta recursos (dinheiro) no mercado para utilizá-lo nas operações. Quem busca esse crédito, compromete-se a pagar, em momento futuro, o valor recebido mais os juros da operação. Esse mecanismo é o que está por trás da remuneração dessas organizações.

Geralmente, o custo de captação de recursos no mercado é menor do que os juros pagos pelos correntistas. Imagine que um cliente deposite seu dinheiro na poupança. A instituição vai pagar a esse investidor um valor muito baixo de remuneração. Com a Selic em 6,50% ao ano, a poupança está rendendo 4,55% ao ano. Ou seja, para uma aplicação de R$ 1.000,00, o banco vai devolver ao poupador R$ 1.045,25. 

Entretanto, a instituição bancária cobra mais quando realiza empréstimos. Vamos considerar a concessão de capital de giro para um prazo de até 365 dias. Na primeira quinzena de maio, conforme apuração do Banco Central, a taxa de juros praticada pelos bancos variou entre 12,97% ao ano e 83,42% ao ano. 

Se considerarmos um percentual intermediário, de 35% ao ano, temos o seguinte contexto: para um empréstimo a título capital de giro no valor de R$ 1.000,00, o contratante pagará ao banco R$ 1.350,00. Isso quer dizer que o banco pagou R$ 45,25 na captação do valor e recebeu R$ 350,00 na concessão do crédito.

Esse descompasso entre o que você recebe por deixar dinheiro investido no banco e o que você paga ao recorrer ao dinheiro emprestado por ele é um dos fatores que justifica a dificuldade enfrentada tanto por pessoas físicas quanto por empresas na hora de quitar suas dívidas bancárias. É, portanto, uma transação muito pouco vantajosa para quem recorre ao empréstimo. 

Como acontece a antecipação de recebíveis?

A antecipação de recebíveis (duplicatas e cheques) também é usada por algumas empresas para obter capital de giro. Na verdade, trata-se de um adiantamento de valores a serem recebidos, ou seja, a instituição financeira antecipa o pagamento de clientes da empresa descontando duplicatas ou cheques.

As operações de antecipação de recebíveis podem ser realizadas por meio de um FIDC, que negocia créditos como ativos no mercado. 

O que é o FIDC?

Para entender melhor o funcionamento do mercado de securitização, responsável pelas antecipações de recebíveis, é preciso conhecer qual é o papel dos investimentos nesse segmento. 

Como citamos, o FIDC é um dos instrumentos que atende às necessidades de captação de recursos das empresas . Assim como os bancos, cuja estrutura descrevemos anteriormente, o Fundo também precisa obter dinheiro para manter suas operações.

A diferença é que elas fazem essa captação de maneira diferente: oferecendo um investimento mais interessante. São os Fundos de Investimento de Direito Creditório. Trata-se de uma espécie de condomínio em que cada investidor adquire uma cota de participação nos resultados do fundo.

Os fundos de investimento são administrados por gestores que têm experiência no mercado financeiro e sabem gerenciar os recursos do grupo para obter rendimentos acima da média. É comum que consigam uma rentabilidade muito superior à da poupança, e o investidor tem um rendimento mais interessante, nesse caso.

Ao conceder o crédito na antecipação de recebíveis, a taxa de juros costuma ser mais atrativa do que a praticada pelos bancos. Isso porque o risco de inadimplência é reduzido. Afinal de contas, está vinculado a um valor a receber, que é chamado de direito de crédito.

Quais são as vantagens do FIDC para as empresas?

As empresas que buscam um FIDC para realizar a antecipação de recebíveis obtêm alguns benefícios. Veja os principais:

  • Regularização do capital de giro possibilitada pelo adiantamento de créditos a receber:
  • Redução de custos possibilitada pela menor oneração em relação aos empréstimos bancários;
  • Equilíbrio no balanço financeiro da empresa em decorrência do ajuste entre saldos a pagar e saldos a receber, otimizando o fluxo de caixa;
  • Eficiência no ciclo operacional, pois há uma movimentação mais viável de recursos direcionados para estoque, produção, matéria-prima e outras áreas empresariais.

Quais os riscos que envolvem o empréstimo bancário?

O maior risco do empréstimo bancário é exatamente a taxa de juros. A empresa precisa pesquisar bem cada instituição financeira para ter certeza de está pagando valores justos e vale analisar as condições oferecidas por diferentes bancos e, se for caso, existe a opção de fazer a portabilidade.

Muitas empresas são bastante prejudicadas devido à obtenção de empréstimos altos, cujos juros vão tornando a dívida praticamente impagável. Solicitar empréstimos bancários para cobrir outros empréstimos nem sempre é a melhor opção.

Uma empresa deve considerar todos os cenários e custos que terá nessa transação, além de fazer uma verificação rigorosa das suas condições de pagamento. Se o negócio estiver atravessando uma fase financeira difícil, talvez, assumir dívidas com juros altos seja uma atitude muito arriscada.

O problema é que as dívidas começam a se acumular virando uma bola de neve. Daí para a avalanche é um passo. Ou seja, em última instância, esse contexto pode levar à falência. 

Quais os riscos que envolvem a antecipação de recebíveis?

O FIDC antecipa um pagamento, assim, se o sacado não efetivar o pagamento devido, a empresa cedente terá, então, o dever de assumir esse pagamento, incluindo juros e outros encargos. 

Qual é melhor: empréstimo bancário ou antecipação de recebíveis?

Uma vantagem da antecipação de recebíveis em relação ao empréstimo bancário é que o prazo da negociação é relativamente menor. Ao contrário da primeira modalidade, em que a empresa está crescendo com um dinheiro que não é dela (e pagando juros por isso), na antecipação, ela está crescendo com um dinheiro ao qual tem direito, fruto de suas vendas ou prestação de serviços.

No caso das duplicatas, o grande “vilão” da história pode ser o cliente inadimplente e não os juros. Mesmo considerando a possibilidade de ter que recomprar o título em caso de inadimplência, os prejuízos financeiros ainda podem ser menores do que aqueles provocados por um empréstimo bancário, principalmente se o custo desse empréstimo for muito alto.

Além disso, a empresa pode analisar bem as duplicatas e só descontar os títulos dos clientes assíduos, que são pontuais em seus pagamentos. Apesar de receber um valor um pouco menor do que o devido, a antecipação ainda pode ser a melhor solução para empresas que enfrentam dificuldades financeiras ou desejam crescer, mas não têm os recursos necessários no momento. 

Por que o planejamento financeiro é indispensável em qualquer uma das situações?

Independentemente da situação e das escolhas feitas, um bom planejamento é a melhor opção para os seus negócios. Investir na gestão financeira eficiente fará com que, mesmo quando for inevitável recorrer à captação de recursos, essa etapa seja efetivada de maneira mais vantajosa para a sua empresa, gerando menos ônus com dívidas e estimulando seus fluxos financeiros. 

Por isso, separamos 10 dicas para aprimorar o planejamento financeiro do seu empreendimento. Confira:

  1. Conheça a necessidade de capital de giro da empresa;
  2. Organize o fluxo de caixa, registrando diariamente as entradas e saídas de recursos;
  3. Trabalhe com prazos maiores para pagamentos e prazos menores para recebimentos;
  4. Utilize indicadores de desempenho para avaliar a eficiência das finanças;
  5. Busque alternativas de captação de recursos com menores taxas de juros;
  6. Aprimore a gestão de contas a receber;
  7. Efetue cobranças de pagamentos que estejam em atraso;
  8. Evite a inadimplência;
  9. Faça reservas financeiras;
  10. Invista recursos excedentes para rentabilizar o dinheiro da empresa.

Descontar duplicatas é, sem dúvida, uma medida mais segura para empresas que desejam crescer sem se comprometer demais com dívidas, recorrendo a expedientes de alavancagem mais moderados e confiáveis.

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